Edição Brasileira - Ano II - Edição nº 36, Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

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Prevenção contra fogo é fundamental para salvar museus brasileiros

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Incêndio em Museu

O fogo é traiçoeiro, muito rápido, age não apenas pela força das chamas mas também pela fumaça asfixiante e radiação que dá início a novos focos de incêndio. Depois que um foco de incêndio começa, como o que ocorreu no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, o descontrole da situação pode acontecer em questão de minutos. Para ser mais preciso, menos de 5 minutos é tempo mais que suficiente para um desastre acontecer. A conclusão é do Laboratório UL (Underwriters Laboratories), após um teste de fogo. 

Situado nos Estados Unidos, o centro de pesquisa é responsável atualmente por estudos avançados sobre a diferença entre incêndios do passado e incêndios atuais. Um dos fatores mais interessantes identificados no estudo está no vídeo comparativo entre uma sala moderna (2009) e uma sala de 40 anos atrás, disponível para acesso em https://youtu.be/IEOmSN2LRq0.

Na sala antiga, móveis à base de fibras naturais como enchimentos de algodão, tecidos de linho, cortinas em tecidos de seda, madeira maciça e tapetes de fibras de folhas secas naturais. Do outro lado, na sala moderna, abundância de materiais sintéticos como espumas de poliuretano expansíveis nos enchimentos dos sofás e poltronas, tecidos sintéticos de poliéster e vinil, pisos de carpete contendo polipropileno, cortinas de tecido blackout sintéticos e muitos equipamentos e eletrônicos construídos em plásticos. 

No experimento, deu-se início a um foco de incêndio em ambas as salas e a constatação foi alarmante: a sala moderna atingiu o flashover (ponto do incêndio generalizado, quando as chances de sobrevivência são nulas) em apenas 3 minutos e 40 segundos, enquanto que na sala antiga o ponto de flashover demorou mais de 20 minutos para ocorrer.

O resultado nos remete ao que foi consumido de forma extremamente rápida durante o incêndio no Museu da Língua Portuguesa, onde o flashover ocorreu em menos de 2 minutos, tomando por completo a sala onde a exposição de redes e tecidos ocorria, e vitimando o bombeiro civil Ronaldo Pereira da Cruz, asfixiado pela fumaça enquanto tentava combater as chamas. 

O que é imperioso a ser feito, para proteção dos nossos museus, é atacar as causas de princípios de incêndio, evitando que materiais expostos, paredes, pisos e forros combustíveis propaguem ainda mais as chamas e liberem fumaça de forma descontrolada. 

Atualmente, o mais adequado é realizar o tratamento antichamas em materiais como madeiras, tecidos e plásticos. A grande questão, porém, permanece. Se o bombeiro civil tivesse 10 minutos, ao invés de apenas dois, teria tido tempo hábil para conectar a mangueira e combater o princípio de incêndio sem transtornos? Talvez até estivesse vivo, entre nós, como um herói.

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