Edição Brasileira - Ano II - Edição nº 36, Segunda-feira, 26 de Junho de 2017

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Onde há vento, não há crise

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Energia Eólica

Enquanto o Brasil amarga uma das piores crises econômicas de sua História, o vento pede passagem. A palavra crise passa longe da cadeia de produção de energia eólica, que já responde por 5% de toda a energia consumida no país (em 2023 deverão ser impressionantes 23%) com aproximadamente 40 mil empregos gerados, 11 fábricas instaladas – com demanda crescente de mão de obra especializada – e R$ 6 bilhões de investimentos previstos por conta dos leilões de energia já realizados.

É no Nordeste do país que os parques eólicos se multiplicam mais rapidamente. Ventos fortes e regulares determinam a atratividade do negócio que tornou o Brasil o 4º país do mundo que mais investiu nessa fonte em 2014, atingindo o 10º lugar no ranking internacional das nações que mais produzem energia eólica.

Destaque para o Rio Grande do Norte, que apesar da pequena extensão territorial, se tornou o grande provedor de energia do Brasil a partir do vento, com 34% de toda a capacidade instalada no país. São 81 parques eólicos em operação, 22 em construção e outros 77 já autorizados. Se a natureza foi generosa com os potiguares soprando os ventos que fazem a alegria dos investidores – e dos muitos proprietários rurais, invariavelmente pequenos, que recebem royalties pela energia gerada – os gestores públicos tentam fazer a parte que lhes cabe. Foram 2.500 licenciamentos ambientais concedidos em um estado onde não se leva mais do que 3 horas para abrir uma nova empresa.

Castigado por quase cinco anos de severa estiagem, o Nordeste deve aos parques eólicos (pelo menos até agora) a eliminação do risco de desabastecimento de água para consumo humano. Cada MegaWatt de energia gerado pelo vento permite que menos água saia dos reservatórios para esse fim. A região também se beneficia do fato de que é justamente nos períodos de seca que o vento sopra mais forte. Nos meses de chuva – quando chove – há menos ventos. A chamada “complementaridade” torna o sistema elétrico mais eficiente e seguro.

No último dia 11 de agosto, registrou-se um feito histórico: o fator de capacidade (o percentual de energia efetivamente gerado) dos ventos do nordeste foi de 80% - um recorde – muito acima, por exemplo, da média mundial que oscila na faixa dos 30%. Até o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp, a quem cabe a pilotagem do sistema interligado nacional, declarou-se surpreendido com o desempenho do setor eólico. Sincero, ele também admitiu que mudou de opinião em relação à importância do vento na matriz energética brasileira. Se há cinco anos o clima era de desconfiança, pelo fato da energia eólica ser intermitente, hoje prevalece a certeza de que, sem os ventos, a situação seria muito pior.

Hermes Chipp foi um dos convidados da mesa redonda mediada por mim no primeiro dia de debates do Windpower Brazil 2015, que acontece até o dia 3 (de setembro) no Rio de Janeiro, reunindo mais de 2 mil participantes de 804 empresas nacionais e estrangeiras.

Quem quiser conferir de perto o evento deve se preparar para uma sensação estranha, uma espécie de vertigem, ao se deparar com uma avalanche de dados, números, estatísticas, projeções e depoimentos de quem parece distante da crise econômica do país. "Crise, que crise?", é a pergunta que não quer calar quando o assunto é energia eólica.

(Texto publicado com permissão do autor. Extraído do blog Mundo Sustentável, do G1)

 

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